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  • Jornadas de Adictologia

 

PARA QUANDO UMA DECISÃO?

 

A Associação Portuguesa de Adictologia vem manifestar a sua profunda inquietação e perplexidade ao tomar conhecimento das declarações que foram feitas pelo Sr. Diretor Geral do SICAD, Dr. João Goulão, no dia 30 de janeiro, sobre a reestruturação dos serviços públicos para as adições, no contexto da apresentação do relatório “A Situação do País em Matéria de Drogas e Toxicodependências”, na Assembleia da República.


Após longos períodos de reflexão, oito anos, que abrangeram duas legislaturas, envolvendo grupos de trabalho, relatórios de várias entidades, consultas a uma grande abrangência de grupos profissionais e da sociedade civil, consulta pública, parecia estar eminente uma tomada de decisão, no final do ano passado, expressa numa proposta de modelo organizacional, enquadrada por uma proposta de Decreto-Lei. Eis se não quando, somos agora confrontados com um novo pedido do Ministério da Saúde, à Direção do SICAD para apresentação de nova proposta, sem previsão de tempo para uma tomada de decisão. Ou seja, a indecisão voltou e o processo vai arrastar-se por mais tempo.


Haverá noção suficiente do prejuízo que estão a causar ao funcionamento dos serviços, adquirindo particular relevo a inquietação em que se encontram os profissionais e as dificuldades de satisfação dos cuidados assistenciais dos utentes que solicitam apoio diariamente?
Assistimos ao longo destes anos ao espírito de resiliência dos profissionais por todos muito elogiado, mas, por outro lado, assiste-se a um definhamento dos serviços sem que se vislumbre uma decisão final.


Os dados do relatório revelam que em 2017 houve uma diminuição de utentes em tratamento e de utentes que procuram tratamento pela primeira vez. A verdade é que as respostas continuam a ser dadas, quer aos pedidos de apoio solicitados pela primeira vez, quer às consultas de continuidade, embora com os constrangimentos já referidos que se refletem no aumento de prazos de atendimento, na existência de listas de espera, na redução do número de camas para os internamentos e na dificuldade de resposta às solicitações que os parceiros fazem para intervenções de âmbito comunitário.

 

Estamos perante uma necessidade premente de clarificação de uma estrutura pública para as adições que continue a abranger todo o território nacional, que sirva os cidadãos e a comunidade, com princípios de proximidade, acessibilidade, credibilidade e rigor científico.
É que, enquanto vão assistindo, pachorrentamente, a um processo de enfraquecimento dos serviços públicos para as adições, há entidades como a Ordem dos Médicos que, por iniciativa da Associação Portuguesa de Adictologia, aprovou recentemente a criação da Competência em Adictologia Clínica, o que só vem valorizar e, de certa forma, reconhecer o exercício profissional e o comprometimento para com as pessoas que padecem de problemas relacionados com as adições.



Coimbra 2 de fevereiro 2019

A Direção

 


 

ORDEM DOS MÉDICOS APROVA COMPETÊNCIA EM ADICTOLOGIA CLÍNICA 

 

É com grande satisfação que a Associação Portuguesa de Adictologia anuncia que a Ordem dos Médicos aprovou a Competência em Adictologia Clínica.

 

Estivemos desde o início na criação desta competência. A 3 de Março de 2015 a Direção da Associação Portuguesa de Adictologia (APA) endereçou um documento ao então Bastonário da Ordem dos Médicos (OM) Prof. Doutor José Manuel Silva, onde era realçada a necessidade de se desenvolver e melhorar a capacidade de intervenção dos clínicos na sua vida profissional em matéria de adições, propondo assim a criação da Competência em Adictologia Clínica.


A proposta foi aceite tendo de imediato sido nomeado um grupo de trabalho na OM para estudar a criação da competência, que foi presidido pelo Profº Doutor Marques Teixeira e integrou, para além de médicos nomeados pela OM e pelo Colégio de Psiquiatria, dois associados em representação da APA.

 

Após a aprovação da Competência em Adictologia no final do ano passado, a Ordem dos Médicos, nomeou a Comissão Instaladora desta competência, que tem como primeira função a definição de critérios de avaliação curricular dos candidatos que venham a solicitar a admissão a esta competência. Esta Comissão Instaladora é presidida pelo Profº Doutor Marques Teixeira e continua a integrar os mesmos dois associados da APA que estão neste processo desde o seu início, o Dr. João Curto e o Dr. Rodrigo Coutinho.


A criação da Competência em Adictologia representa um importante passo para podermos dotar os médicos de formação adequada e credibilizada sobre prevenção, diagnóstico e tratamento, para o exercício clínico em adições. É também uma forma de integrar estes conhecimentos numa dimensão multidisciplinar, tão necessária nesta área de intervenção, e que tem sido um dos princípios basilares para os bons resultados da política portuguesa no âmbito das adições.

 

Janeiro 2019

 

 


 

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 Adictologia é uma revista científica publicada pela Associação Portuguesa de Adictologia que tem como principal objetivo a publicação de trabalhos científicos originais e de revisão na área dos comportamentos aditivos e das dependências, de modo a melhorar a formação dos profissionais e a enriquecer a rede de conhecimentos em matéria de adições.

 

As adições ao longos dos últimos anos foram deixando de ser um campo estranho e marginal a que só alguns profissionais do terreno se dedicavam, para passar a ser um tema nobre de estudo e investigação.

 

Neste âmbito, convidamo-lo a publicar os seus artigos científicos na revista Adictologia, contribuindo assim para a informação e formação dos leitores. A publicação de artigos não tem custos para o autor.

 

A revista Adictologia é publicada exclusivamente em formato digital e encontra-se integralmente disponível em open access na página da Associação Portuguesa de Adictologia.

 

A Direção

 

 


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